domingo, 3 de abril de 2011

Utilizando a TV e o vídeo em sala de aula

Em 2001 fiz um Curso de capacitação da Fundação Roberto Marinho e um curso de capacitação da Fundação Paulo Freire em parceria com a Secretaria de Estado de Educação, o objetivo era capacitar os professores que atuariam, através do Centro de Educação de Jovens e Adultos (CEJA), nas telessalas em Santa Catarina.
Após a capacitação fui contratada e trabalhei 5 anos na EJA com telessalas. Eu já possuía uma boa experiência lecionando no Ensino Fundamental e Médio, mas nunca havia trabalhado com adultos. Foi um aprendizado em todos os sentido, conheci uma nova metodologia que focava principalmente na utilização da TV e do vídeo. Percebi mais claramente a relação dialética que se estabelece na sala de aula, pois tinha alunos de 18 a 64 anos e muito a aprender com eles. Concluímos 2 turmas de Ensino Fundamental e uma turma de Ensino Médio, os alunos faziam questão de fazer a formatura com festa e a presença de todos os familiares.
A metodologia da telessala consistia em iniciar a aula com uma motivação que poderia ser uma música, uma conversar ou um outro recurso que buscasse estimular e despertar a atenção dos alunos para o tema a ser trabalhado. Na sequencia era passando um vídeo com duração média de 15 minutos. Cada módulo do Telecurso inicia com um vídeo que usa as múltiplas linguagens televisivas, como animação, documentário, reportagem, dramaturgia e computação gráfica para complementar o conteúdo. Essas linguagens aliadas a argumentos atraentes despertam o interesse e a curiosidade, estabelecem inter-relações com os conhecimentos e suscitam questionamentos dos alunos sobre a temática a ser trabalhada.
Após o vídeo era realizada a “leitura de imagem”, esse processo era dividido em três momentos onde os alunos deveriam responder as seguintes questões: o que você viu?, o que você ouviu? O que você sentiu? Ao descrever o que viu os alunos relatam as imagens, objetos e cenário; na descrição do que ouviu os alunos comentam sobre o que foi falado e ao citar o que sentiu é o momento de demonstrar o que ele conseguiu assimilar de todo o contexto. Os vídeos sempre faziam uma abordagem que partia do cotidiano das pessoas, assim os alunos se identificavam com as cenas. Na sequencia era feita a leitura do livros e a pártica com exercícios. Para complementar fazíamos uma atividade como teatro, dinâmica de grupos, seminários. Lembro do dia que fizemos uma aula sobre a Grécia, após assistir o vídeo, fazer a leitura de imagens a leitura do conteúdo, aproveitei que tinha várias alunas que trabalhavam numa malharia e fizemos um teatro, elas confeccionaram roupas perfeitas com papel pardo e jornal, para os personagem gregos da peça que foi montada na sala, tendo como base a leitura do texto.
Durante todo esse tempo tive a TV e vídeo como grandes aliados no processo de construção do conhecimento de meus alunos, sei o quanto esses recursos podem contribuir no processo ensino-aprendizagem. Nesse contexto o professor é um mediador, alguém que vai orientando o processo para que os alunos se apropriem do conhecimento. O aluno é sujeito que constrói seu próprio conhecimento. Sabemos que nenhuma mídia faz milagre mas com um planejamento adequado elas podem fazer a diferença.

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